Em 2024, o Brasil registrou 724.228 acidentes de trabalho, segundo dados oficiais divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com o e‑Social e o Ministério da Previdência Social. Deste total, 74,3 % foram caracterizados como acidentes típicos — aqueles ocorridos no ambiente de trabalho — 24,6 % ocorreram no trajeto entre casa e trabalho, e apenas 1 % referia‑se a doenças ocupacionais, indicador que evidencia persistentes falhas e subnotificação neste campo,
Além disso, pouco mais de 61 % desses acidentes resultaram em afastamento de até 15 dias, enquanto 27 % não exigiram afastamento, e 11,9 % exigiram ausências superiores a esse período. Esses números trazem à tona não apenas a dimensão humana do problema, mas também os reflexos na produtividade, na capacidade preventiva das empresas e nas finanças públicas via Previdência.
Para além do setor formal, o Sistema Único de Saúde (SUS) também registrou cerca de 150 mil acidentes de trabalho em 2024, apontando que muitos casos sequer chegam a ser comunicados por vias oficiais — um forte indicativo de subnotificação e lacunas nos mecanismos de proteção
A Escala 6×1 e seu impacto sobre a saúde do trabalhador
A escala 6×1, regime que prevê seis dias consecutivos de trabalho seguidos por um único dia de descanso, tem sido alvo de críticas crescentes. A Fundacentro destacou que esse modelo pode estar associado a contextos de precarização, violação de direitos e riscos adicionais aos trabalhadores — não apenas à saúde física, mas também à mental e social.
Em junho de 2025, a Fundacentro promoveu o debate “O fim da escala 6×1 e a promoção da saúde dos trabalhadores”, reunindo diversos atores — pesquisadores, sindicatos, especialistas e parlamentares — para dialogar sobre os efeitos desse regime e pensar alternativas mais humanas à organização do trabalho.
Paralelamente, no Congresso, a deputada federal Erika Hilton (PSOL‑SP) apresentou uma proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa instituir uma jornada de 36 horas semanais distribuídas em quatro dias de trabalho, eliminando a escala 6×1. Recentemente, em agosto de 2025, foi instalada uma subcomissão especial na Câmara para analisar o tema com mais profundidade.
Convergência entre os temas: acidentes e escala 6×1
A correlação entre o número expressivo de acidentes de trabalho e a manutenção da escala 6×1 é clara: jornadas extenuantes elevam os níveis de fadiga, estresse, falta de recuperação física e psicológica — condições que potencializam os riscos de acidentes. Um trabalhador exaurido torna-se mais suscetível a erros, lapsos de atenção e, consequentemente, a situações de infortúnio.
Ao promover uma jornada menos opressiva, com tempo adequado de descanso, promove-se também uma cultura de trabalho mais segura, humana e sustentável. Nesta lógica, defender o fim da escala 6×1 não é apenas uma briga por mais descanso, mas um imperativo de saúde pública e de prevenção de acidentes.
Conclusão
Os dados de 2024 são alarmantes: mais de 724 mil acidentes de trabalho, com predominância de lesões no local de trabalho, afastamentos frequentes e uma dramática subnotificação de doenças ocupacionais. Nesse contexto, a escala 6×1 funciona como um agravante invisível — um fator estrutural que amplia o risco de acidentes e erosão da saúde.
Retomar o debate sobre o fim da escala 6×1 não é apenas uma agenda trabalhista, mas uma urgência de saúde pública, justiça social e direito fundamental ao bem-estar. O escritório Marilinda Marques Fernandes Advogados Associados, ao se engajar nessa causa, reafirma sua missão de defender o trabalhador brasileiro, transformando estatísticas dolorosas em ações concretas de prevenção, dignidade e justiça.



