7 de abril Dia Mundial da Saúde: falar em saúde é defender o SUS

O Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, convida à reflexão sobre um tema que atravessa a vida de todas as pessoas: o acesso à saúde. Em 2026, a Organização Mundial da Saúde adota o tema “Together for health. Stand with science.”, reforçando a importância da ciência, da cooperação e das políticas públicas para proteger a vida. No Brasil, esse debate passa, necessariamente, pela valorização do Sistema Único de Saúde.

A Constituição Federal estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Essa garantia não é abstrata: ela se materializa, principalmente, por meio do SUS, que representa uma das mais importantes políticas públicas já construídas no país. A Lei nº 8.080/1990, que organiza o sistema, também afirma que a saúde é um direito fundamental do ser humano e que o Estado deve prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício.

Mais do que uma estrutura de atendimento, o SUS expressa um projeto de sociedade baseado em direitos. Seus princípios ajudam a compreender sua relevância. A universalidade afirma que todas as pessoas devem ter acesso aos serviços de saúde. A integralidade reconhece que cuidar da saúde vai além do tratamento pontual e envolve prevenção, acompanhamento e atenção em diferentes níveis. Já a equidade parte do entendimento de que as pessoas têm necessidades distintas e, por isso, é preciso investir mais onde a vulnerabilidade é maior.

Esse ponto é central. Em um país marcado por profundas desigualdades sociais, defender o SUS é defender que o cuidado não dependa da renda, do emprego formal ou da possibilidade de pagar por atendimento privado. É reconhecer que a saúde pública tem papel decisivo na redução de desigualdades e na promoção de dignidade. O próprio Ministério da Saúde destaca a equidade como princípio ligado diretamente à justiça social e ao reconhecimento das diferentes condições de vida que impactam a saúde da população.

Por isso, o 7 de abril não deve ser visto apenas como uma data simbólica. É também uma oportunidade para reafirmar a importância do SUS como política pública essencial, instrumento de cidadania e expressão concreta do direito à saúde. Para quem atua com direitos sociais, essa defesa é inseparável da defesa da dignidade humana. Valorizar o SUS é valorizar a vida, a democracia e o princípio de que saúde não pode ser privilégio: deve ser direito garantido a todos.