Desemprego, subocupação e desalento: a crise do trabalho no Brasil


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou mais um número negativo do mercado de trabalho: no primeiro trimestre de 2018 faltou emprego para 27,7 milhões de brasileiros. O resultado da subutilização da força de trabalho é o maior da série histórica, iniciada em 2012.

O número, medido pela PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), é bastante superior à taxa de desemprego que é normalmente divulgada. No mesmo primeiro trimestre, o IBGE apontou 13,6 milhões de pessoas que estavam desocupadas.

A diferença acontece porque a subutilização da força de trabalho não conta só quem está tecnicamente desempregado, mas também aqueles que gostariam de trabalhar mais e até os que desistiram de procurar. E eles também influenciam a taxa de desemprego.

O que forma a subutilização

– Desempregado: São os desempregados as pessoas que não têm trabalho nenhum e que “tomaram alguma providência efetiva para conseguir um trabalho” no período de 30 dias. Outro tipo (menos comum) de desempregado é a pessoa que está disposta a começar imediatamente em uma nova ocupação, mas que não está à procura porque já combinou de começar em um emprego no futuro.

– Subocupado: Os subocupados por insuficiência de horas são pessoas que trabalham menos de 40 horas semanais (em um ou mais empregos). Além disso, para ser enquadrado nessa categoria a pessoa precisa ter vontade e disponibilidade para trabalhar mais. O subocupado, apesar de insatisfeito com seu papel no mercado de trabalho, entra na conta da taxa de desocupação como empregado.

– Desalentado: É quem não tem emprego, gostaria de trabalhar, mas desistiu de procurar porque perdeu a esperança. Essa pessoa está desanimada sobre suas possibilidades. O desalentado não está na força de trabalho. Então ele sequer entra na conta da taxa de desemprego.

– Pessoas que não podem assumir: Junto com o desalentado, essas pessoas formam a força de trabalho potencial. São pessoas que gostariam de trabalhar, mas que por algum motivo não podem assumir um compromisso no momento. Assim como o desalentado, esse número não entra na força de trabalho.

O que cresceu na crise

O Brasil tinha, quando a crise econômica começou no primeiro trimestre de 2014, cerca de 16 milhões de trabalhadores subutilizados – 12 milhões a menos que no início de 2018. O crescimento se deve ao aumento não só do número de desempregados, que passaram de 7 milhões para 13,6 milhões, mas também de desalentados e subocupados (trabalham menos do que gostariam).

O número de pessoas que desistiu de procurar trabalho praticamente triplicou: 1,57 milhões em 2014 para 4,6 milhões agora. Os que gostariam de trabalhar mais horas passaram de 4,5 milhões para 6,2 milhões. Veja as mudanças.

Gráfico: Nexo

 

Quem são e onde estão os desalentados

A maior parte dos desalentados tem, no máximo, ensino médio completo. Quase dois terços dos 4,6 milhões se declaram pardos. Na distribuição regional, o Nordeste é, com folga, onde mais há pessoas que desistiram de procurar emprego. Em 2014, no início da crise, eram pouco mais de um milhão de pessoas nessa situação na região. Esse número no primeiro trimestre de 2018 chegou a 2,8 milhões de pessoas. Ou seja, 60% dos desalentados do Brasil estão na região Nordeste.

Distribuição

Gráfico: Nexo

FonteNexo

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