25 de novembro é o Dia Internacional de Luta Contra a Violência à Mulher


Em 17 de dezembro de 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que 25 de novembro é o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, em homenagem ao sacrifício de Las Mariposas.

A violência contra as mulheres não existe só quando uma mulher é assassinada. É o assédio no ônibus, o colega de trabalho que levanta a voz, o marido que controla o que vestimos,  o ex-namorado que divulga nudes na internet. Quantos exemplos podiam ser dados? A violência contra a mulher é quotidiana – tal como a nossa luta.

O assassinato de uma como nós é o apogeu máximo da violência machista. É o homem utilizar a sua força para tirar a vida a alguém com quem, muitas vezes, partilhou amor e afetos. Desprezarmos os sinais de subordinação é sermos cúmplices da impunidade. Normalizar o apalpão, a cantada , a palavra alta, a foto íntima partilhada, o roxo no braço e o ciúme, é compactuar com uma sociedade em que as mulheres não são donas do seu próprio corpo, como se fossem sempre posse de alguém – um homem, conhecido ou desconhecido.

Segundo os dados do Observatório de Mulheres Assassinadas, a maioria das mulheres assassinadas já tinham sido vítimas de violência. Também na maioria dos casos, já havia conhecimento da violência por parte de outras pessoas.

ONU: pandemia inflama violência contra as mulheres

Desde o início da pandemia, todos os tipos de violência contra mulheres e meninas se intensificaram. O número de chamadas para linhas de apoio a vítimas de violência doméstica aumentou 500%. Menos de 40% denunciam o caso ou procuram ajuda.

Em julho, a ONU estimou que seis meses de restrições poderiam traduzir-se em mais 31 milhões de casos de violência sexual no mundo e sete milhões de gravidezes indesejadas. A luta contra a mutilação genital feminina e os casamentos forçados também tem sido afetada pela pandemia, alertam as Nações Unidas.

Nenhum país foi poupado à epidemia do coronavírus, nem ao flagelo da violência doméstica, que surgiu durante os confinamentos.  No dia 25 de novembro celebra-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, uma situação cada vez mais difícil de controlar graças à pandemia de covid-19.

De um pico de violações na Nigéria e na África do Sul, ao aumento do número de mulheres desaparecidas no Peru, taxas mais elevadas de mulheres mortas no Brasil e no México e associações esmagadas na Europa: a pandemia agravou a praga da violência sexual.

De acordo com dados da ONU divulgados em finais de setembro, os confinamentos levaram a um aumento das queixas ou chamadas para denunciar abusos domésticos de 25% na Argentina, 30% em Chipre e França e 33% em Singapura.

Em essencialmente todos os países, as medidas para limitar a propagação do coronavírus resultaram no confinamento de mulheres e crianças em casa. “A casa é o lugar mais perigoso para as mulheres”, observaram em abril as associações marroquinas, ao pressionarem as autoridades para “uma resposta de emergência”.

Na Índia, Heena – nome fictício – uma cozinheira de 33 anos que vive em Mumbai, disse sentir-se “presa na minha casa” com um marido que não trabalhava, consumia drogas e era violento. Enquanto descrevia o que tinha sofrido, desfazia-se frequentemente em lágrimas.

Depois de comprar drogas, “passava o resto do dia ao telefone a jogar PubG (PlayerUnknown’s Battlegrounds) ou a bater-me e a abusar de mim”, contou à AFP por telefone.

 Medidas insuficientes

A 15 de agosto, o marido bateu em Heena de uma forma pior do que antes, à frente do seu filho de sete anos, e expulsou-a de casa às 3h00 da manhã. “Eu não tinha para onde ir”, contou. “Mal conseguia mexer o meu corpo, ele batia-me até me polir, o meu corpo estava inchado”.

Em vez de ir à polícia, chegou a casa de um amigo e depois aos seus pais. Hoje luta agora pela custódia do seu filho, “mas os tribunais não estão a trabalhar em plena capacidade devido à covid-19”. Heena não vê o filho há quatro meses, embora consiga telefonar-lhe em segredo de vez em quando.

Não são apenas os tribunais que são afetados pelo vírus. O encerramento de empresas e escolas, bem como de atividades culturais e desportivas, privaram as vítimas já enfraquecidas pela insegurança económica de formas de escapar à violência.

Hanaa Edwar da Rede Iraquiana de Mulheres, disse à AFP que houve “uma perigosa deterioração da situação socioeconómica das famílias após o confinamento, com mais famílias a entrar na pobreza, o que leva a reacções violentas”.

 No Brasil, foram registados 648 assassinatos de mulheres no primeiro semestre do ano, um pequeno aumento em relação ao mesmo período em 2019, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Embora o governo tenha lançado uma campanha para encorajar as mulheres a apresentarem queixas, o fórum afirma que as medidas destinadas a ajudar as vítimas continuam a ser insuficientes.

 “Máscara-19”

A nível mundial, as Nações Unidas dizem que apenas um em cada oito países tomou medidas para diminuir o impacto da pandemia nas mulheres e crianças.

Em Espanha, as vítimas poderiam discretamente pedir ajuda nas farmácias utilizando o código “máscara-19”, e algumas associações francesas estabeleceram pontos de contacto nos supermercados. “As mulheres que nos procuravam encontravam-se em situações que se tinham tornado insuportáveis, perigosas”, disse Sophie Cartron, assistente de direcção de uma associação que trabalhava num centro comercial perto de Paris. “O confinamento estabeleceu um muro de silêncio”, disse Sophie Cartron.

A mobilização a 25 de novembro, o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, continua incerta devido às restrições ligadas à pandemia de covid-19.

Não obstante, realizaram-se recentemente marchas pelos direitos das mulheres na Costa Rica, Guatemala, Libéria, Namíbia e Roménia. “Não poderemos demonstrar a nossa raiva, nem marchar juntos”, disse o grupo feminista Family Planning, baseado em Paris . “Mas far-nos-emos ouvir, virtual e visualmente”, concluiram.

Tamara Mathebula da Comissão Sul Africana para a Igualdade de Género descreveu uma “masculinidade tóxica” crónica presente “para onde quer que se olhe. Há disparidades salariais entre géneros que estão a aumentar e continuam a aumentar durante a pandemia de covid-19”, disse  à AFP.

Em julho, a ONU estimou que seis meses de restrições poderiam resultar em 31 milhões de casos adicionais de violência sexual no mundo e sete milhões de gravidezes indesejadas. A situação estava também a minar a luta contra a mutilação genital feminina e os casamentos forçados, advertiu a ONU.

 

 

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